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Sapinhos de Natal by ~Zih:iconZih:



No ínício ouviam-se apenas os passos vindos do negrume. Conforme o caminhante adentrava a região das brumas, a luminosidade difusa nos possibilitou ver a sua silhueta. Era alto, alto e magro, com um chapéu velho que mais parecia uma torre torta se equilibrando no alto da cabeleira preta. Ele usava uma casaca puída de um verde escuro, luvas brancas nas mãos finas e compridas, sapatos escuros no estilo dos colonizadores e meias listradas de vermelho vinho e verde, que eram visíveis por sob a as calças verde aveludadas e ligeiramente curtas.

    Apesar das peças em separado - a magreza, as roupas fora de moda e o ar eternamente descuidado com o qual observava um relógio de bolso e se apoiava numa bengala marrom - não serem nada respeitáveis, havia uma força muito grande que era desprendida do conjunto em si. Não uma daquelas que afugentam e amedrontam, mas algo tão antigo e puído quanto as roupas, algo que ao mesmo tempo evocava curiosidade e pedia que se mantivesse distância; era a mesma sensação que se tem antes de adentrarmos um sonho particularmente fantástico e perigoso.

    O rosto de nosso figurante era o de um homem na casa dos 21 - ou 32, quem sabe - com feições bonitas e um sorriso da mais silenciosa antecipação no rosto, aquele que uma criança provavelmente tem logo antes de ir abrir o seu presente de Natal escondido (o que nesse caso era, em parte, verdade).

    Ele observou o relógio por alguns momentos, e, tirando os sons que lhe advinham, - trinados de aves, coaxar de sapos três tique taques diferentes e uma música antiga do Elvis - o objeto parecia perfeitamente  normal, tão insuspeito quanto deve ser um bom relógio de bolso inglês. Ele observou o relógio pr alguns instantes e retomou a caminhada.

    Alguns tique taques depois, ele finalmente saiu das brumas - e digo saiu como quem sai de um bloco denso ou passa uma cortina imóvel: de repente hava bruma, e de repente havia sol. Sol, uma campina da alguns metros quadrados - como um buraco no meio da neblina - pedras e uma garota. Relatemos aqui que ele pareceu bastante satisfeito consigo mesmo (e até onde suas feições revelavam -e eslas revelavam bastante naquele momento - estava também extremamente desejoso de que alguém o congratulasse).

    A menina aparentava ter uns doze anos e tinha cabelos de um castanho claro e liso, tão compridos que se espalhavam pelo chão à sua volta. Ela usava um vestido branco de alças e estava sentada de costas para o visitante, no meio da pedreira, no meio da clareira (no meio das brumas). Estava descalça, e seus pés, embora sujos de terra e pedras, eram tão mimosos quanto o de qualquer moça. Ela batia uma pedra redonda contra uma pedra maior no chão e o som enchia a clareira. Batia de forma preguiçosa e regular, como se fuizesse aquilo por não conseguir pensar em nada melhor pra fazer numa pedreira. O ar envolta dela lembrava pinheiros riachos e vento, assim como o recém chegado cheirava a sonhos.

    A única reação que ela esbouçou com a chegada do estranho foi contrair os lábios (vermelhos), fechar os olhos e fazer um som de "hmmm" com a garganta, numa expressão que só poderia ser descrita como "que. droga.".

    _ O que você quer, Ulfgarr? - ela disse numa voz áspera que caberia muito bem se tivesse vindo de uma senhora de oitenta anos, ao invés de uma menina de doze.

    _ Me chama de Jack agora - ele disse fazendo uma curvatura e tirando o chapéu da cabeça; a voz dele era baixa e suave, mas tinha o dom de encontrar seu caminho até os ouvidos alheios. - E achei que o seu trabalho fosse saber - ele continuou, num sorriso de escárnio - minha cara Guia.

    A mocinha jogou os braços queimados de sol para cima numa atidude de "me pegou".

    _ Claro. Mas se era pra você ter todo o trabalho de chegar aqui apenas para olhar para as minhas belas costas e sair sem dizer nada, pra quê sair de casa? Não, você sabe como isso aqui funciona.

    Ele sorriu.

    _ E de qualquer forma - ela continuou - eu não tenho recebido muitas visitas por esses dias. Indulja essa velha com um pouco da sua conversa e talvgez eu perdoe a você e a esse seu brinquedo trapaceiro - e acenou para o bolso do casaco onde o homem Jack-Ulfgarr havia guardado o seu relógio.

    Ele sorriu mais.

    _ Ora, minha cara. Talvez a senhora morasse num lugar mais acessível ( e não entre o Nada e Lugar Nenhum, por entre as brumas do tempo) , recebesse mais visitas. E embora - ele levantou a mão para parar a resposta que esperava vir dela - a senhora diga que encontrá-la faz parte da busca, eu digo que se isolar não foi nada difícil pra alguém da vossa sociabilidade. E (calma, senhora, pois ainda não terminei de falar, como bem sabe) a regra é chegar até aqui. Se o meu brinquedo, como a senhora o chama, trapaceia o vosso sistema, isso significa apenas que... eu sou mais do que qualificado para estar aqui - disse acom uma certa modéstia.

    _ ...

    _ Ah, senhora, vamos - disse num tom bastante conciliador - não seja uma má perdedora. A senhora sempre pode... - e coçou o queixo pensativo - me mandar para um lugar perigoso ao qual eu jamais sonharia em ir, quanto mais retornar - terminou, apaziguador.

    _ Cale a boca, Ulfgarr... Jack, que seja. - disse isso de maneira apenas meio ríspida e olhou pensativa para o céu por um instante, os olhos fora de foco. - Tem feito brinquedos cada vez mais perigosos, não?

    _ Eu prefiro pensar que está tudo nas mãos de quem joga, Guia. Afinal, um bom brinquedo deve apresentar várias... formas de diversão. E qual quebra -cabeças é mais maravilhosamente complexo do que a vida? Sou só um fazedor de brinquedos, senhora. Faço apenas entregar possibilidades à crianças - disse, humilde. E agora, onde estão os meus portais?

    Se ela concordava com isso ou não... ela não concordava. Achava só que Jack era um moleque arteiro com poder demais, mas se as Existências superiores - ou o acaso, protetor dos idiotas e loucos - permitiam que ele existisse e fizesse seus brinquedos, quem era ela pra discordar? Se ele não se explodiu sozinho até ali... bem, tinha de haver um motivo, não? Pensou tudo isso e em como esses jovens de hoje em dia não respeitavam os mais velhos, mas disse apenas (numa deliciada voz de menina ):

    _ Sapinhos.
   
    _ Sapinhos ?!? - e pela primeira vez ele pareceu surpreso, e meio maravilhado.

    Mais uma vez pensamentos ("Sim, sapinhos, você é surdo?") foram diferentes das palavras.

    _ Sim, sapinhos. Verdes como o limo novo viscosos como a neblina que você teve que atravessar pra chegar até aqui. Costas frias como a noite e lisas como pele de moça,  barriga branca como o leite e olhos amarelos como o hidromel dos elfos. Isso tudo e um coraçãozinho que você sentirá bater cheio de vida e ternura quando puse-los na mão. Sapinhos verde gêmeos.

    Jack continuava a sorrir, maravilhado.

    _ Deve (e ouça bem bem agora) convencê-los a vir com você, convencê-los a te ajudar. Deve ganhar a permissão deles, e sem engodos dessa vez.

    _ Senhora... - ele disse coçando a cabeça

    _ Em alguma lugar nos mundos verticais e diagonais a Londinium.

    Ele respondeu apenas com um silêncio desajeitado.

    _ Eu não me importo se é muito chão pra procurar Jack, e nem adianta pedir mais. Como bem sabe, essa é a única ajuda que eu vou dar. Regras do jogo, Jack. Espero - e ela disse isso sorrindo, a voz de menina cantando - sinceramente que o consiga antes do "Natal", como é do seu desejo.

    _ Senhora... - ele disse meio suplicante, meio divertido frente à enormidade da tarefa,

    _ Eu sou uma bruxa Jack. Um oráculo. Se eu vivesse de dar respostas óbvias para perguntas imbecis eu escreveria livros de auto-ajuda. Qyuer uma localização exata, procure coisas normais, num catálogo. Portais vivos, inteligente e programáveis devem mesmo ser difíceis de achar (e eu sei que você não se contentaria com menos).

    _ A senhora está se divertindo com isso, não está? - perguntou ele, derrotado.

    Ouviu-se o som de um sorriso abafado.

    _ Claro. E na próxima vez traga-me um presente, sim? E seja mais gentil. Não é porque me falta companhia que eu tenha perdido o senso de maneiras ou boas maneiras.

    Jack tentou não pensar nada nas linhas de "sua... dragoa... velha", mas foi mais forte que ele. Resumiu-se a dizer:

    _ Anotado, senhora. - e fez outra reverência. Eu voltarei, com certeza ainda nesse Natal - disse, com muito menos certeza do que sentia.

    _ Certo Jack. Boa sorte com os sapinhos. Bons Natais - e foi a vez dela sorrir com escárnio - estarei esperando ansiosamente.

    Ele nem se dignou a reposnder. Com outra mesura - dessa vez menos solene e mais rápida - virou de costas e invadiu as brumas. Apenas começara a andar quando ouviu a risada alta e límpida da bruxa, uma menina se deleitando com uma artimanha que havia pregado, e uma velha satisfeita em dar uma lição merecida a um garoto orgulhoso.

    Apertou o passo, com raiva, (o riso ainda o seguiu tilintando pelas brumas) mas não pode deixar, ele mesmo, de sorrir antes de adentrar mais uma vez a escuridão. Gostava de sapinhos. E da velha Guia. E de desafios...
©2006-2008 ~Zih
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Author's Comments

Um presente meu pro Alexsandroff ( [link] ), sobre uma história em que eu estou ajudando. Todos os personagens e situações pertencem a nós (50/ 50, remember?? ^^).

Por favor, sejam gentis porém incisivos no que vocês acham que eu poderia melhorar.

English version coming soon.
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~Alexsandro:iconAlexsandro: Feb 23, 2006, 9:00:20 AM
Ahhh! The christmas frogs! This story is really nice and writed by Zih it gets even better!
Ancious to see what happens next!

C´ya

:bounce: :bounce:
~Alexsandro:iconAlexsandro: Feb 23, 2006, 9:00:50 AM
Ahhh! The christmas frogs! This story is really nice and writed by Zih it gets even better!
Ancious to see what happens next!

C´ya

:bounce: :bounce:
~Zih:iconZih: Mar 1, 2006, 12:37:18 PM
:bow:

Thank you, Mr. "missing person" ^^.

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I'm on a hiiiighway to hell :dance: :dance: :dance:


I SUPPORT JARK!!!! :salute:
~airezin:iconairezin: Mar 16, 2006, 12:39:50 PM
woooo... gostei!!!
Você tem estilo de escrita! Hehe!! Que tal continuar essa estória???

bjo!!
~Zih:iconZih: Mar 16, 2006, 12:59:53 PM
Que bom que você gostou Lu ^^.

Tá sendo continuada já... mas num processo mais lerdo. Mas tamos continuando ^^. Assim que eu terminar eu posto ela aqui tb ^^.

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I'm on a hiiiighway to hell :dance: :dance: :dance:


I SUPPORT JARK!!!! :salute:
~ren-savatri:iconren-savatri: Aug 4, 2006, 7:08:59 PM
I refer to the post date when I ask, "...Soon?"

Mm, Portuguese. If only I were more cultured.
~Zih:iconZih: Aug 6, 2006, 3:12:01 PM
I'm sorry about the "soon thing", I've had many problems to deal with at school, and none of my non brazilian friends/acquaintances has ever seemed interested enough in my story for me to translate it to English. Well, since someone seems interested now (thank you) It shall be done by the end of the week. I'll notify you when I do.

Thanks again. ^^

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I'm on a hiiiighway to hell :dance: :dance: :dance:


I SUPPORT JARK!!!! :salute: